Visto e residência Mercosul: o que todo brasileiro precisa saber para morar na Argentina
Dados verificados em fontes oficiais argentinas (argentina.gob.ar, migraciones.gob.ar, consulados) em julho de 2026. Regras de residência e taxas migratórias mudam com frequência: confirme sempre no site oficial antes de iniciar o trâmite.
“Preciso de visto para ir para a Argentina?” é uma das perguntas que mais gera confusão entre brasileiros, porque a resposta muda completamente dependendo do que você vai fazer lá. Para uma viagem de turismo, não. Para morar, estudar por um período longo ou trabalhar, sim, e o caminho mais usado por brasileiros é a residência temporária por nacionalidade Mercosul, um benefício que a Argentina concede especificamente a cidadãos de países do bloco. Este guia explica, em português, exatamente o que essa residência garante, as duas formas de pedi-la, os documentos exigidos, as taxas atuais e o caminho até a residência permanente.
Um brasileiro pode entrar na Argentina como turista apenas com RG ou passaporte válido, sem visto, por até 3 meses. Para morar, trabalhar ou ficar por mais tempo, o caminho é a residência temporária por nacionalidade Mercosul (2 anos, renovável, permite trabalhar e emite DNI), prevista no artigo 23(l) da Lei 25.871. Ela pode ser pedida de duas formas: de dentro da Argentina, pelo sistema RADEX (taxa em torno de ARS 50.000, verificado em julho de 2026), ou num consulado argentino no Brasil antes de viajar (cerca de USD 550, verificado em julho de 2026). Depois de 2 anos, é possível pedir a residência permanente.
O guia mais confundido por brasileiros: turismo, estudo ou residência
Turista não precisa de visto: quando você realmente precisa de um
Resumo: para entrar na Argentina como turista, o brasileiro usa apenas RG ou passaporte válido, sem visto, com estadia de até 3 meses (prorrogável uma vez). Visto e residência só entram em jogo quando o plano é morar, estudar por período longo ou trabalhar.
A regra oficial de entrada para brasileiros é simples: para turismo, basta um documento de identidade civil (RG) emitido por um estado, uma cédula de identidade ou o passaporte, todos vigentes, com base no acordo de documentos de viagem do Mercosul (DC-46-2015-CMC). Essa estadia de turista permite ficar até 3 meses na Argentina, com possibilidade de uma prorrogação por período semelhante, mas não permite trabalho remunerado. É nesse ponto que a maioria dos brasileiros se confunde: turismo não exige visto nem residência, mas também não serve para quem vai morar, trabalhar ou estudar por mais tempo no país.
Uma observação importante sobre o RG: é comum encontrar em blogs de viagem e páginas de companhias aéreas a informação de que o documento precisa ter sido emitido há menos de 10 anos. Essa exigência específica não aparece em nenhuma página oficial argentina consultada nesta pesquisa, que fala apenas em documento “vigente”. Trate a regra dos 10 anos como uma prática comum de companhias aéreas e postos de fronteira, não como uma lei confirmada, e leve o passaporte como alternativa mais segura se o seu RG for antigo.
Residência Mercosul: o que ela garante na prática
Resumo: por ser cidadão de um país do Mercosul, o brasileiro tem direito a uma residência temporária de 2 anos, renovável, com múltiplas entradas e saídas, que já habilita trabalho formal e a emissão do DNI (documento de identidade argentino).
A residência temporária por nacionalidade Mercosul está prevista no artigo 23, inciso “l”, da Lei de Migrações argentina (Lei 25.871), regulamentada pelo Decreto 616/2010 e pela Disposição 1.637/2022. Ela concede permissão para permanecer no país por 2 anos, renovável, com direito a múltiplas entradas e saídas durante esse período, e já habilita a tirar o DNI temporário, o documento de identidade que abre praticamente todas as portas na Argentina: conta bancária, contrato de aluguel, matrícula em universidade, carteira de trabalho.
Quem tem direito: brasileiros natos, e também estrangeiros de fora do Mercosul que sejam naturalizados há 5 anos ou mais em algum país do bloco. Diferente da residência de estudante (que trata mais adiante neste guia), a residência Mercosul não exige estar matriculado em nenhuma instituição: qualquer brasileiro pode pedir, seja para trabalhar, estudar, empreender ou simplesmente morar na Argentina.
Duas vias para pedir: RADEX ou consulado no Brasil
Resumo: existem dois caminhos oficiais. De dentro da Argentina, pelo sistema RADEX, com taxa em torno de ARS 50.000 (verificado em julho de 2026). Direto num consulado argentino no Brasil antes de viajar, com custo total de aproximadamente USD 550 (verificado em julho de 2026, consulado de Curitiba). São processos, taxas e prazos diferentes, e não devem ser confundidos.
Não existe uma única forma de pedir a residência Mercosul. A escolha depende de onde você está no momento do pedido:
| Via | Onde | Custo aproximado | Prazo |
|---|---|---|---|
| RADEX | Online, mas exige estar fisicamente na Argentina | 50 UMSM (1 UMSM = ARS 1.000), equivalente a ARS 50.000, verificado em julho de 2026 | Agendamento costuma ser enviado por e-mail em até 24h após o envio dos documentos |
| Consulado no Brasil | Antes de viajar, num consulado argentino (exemplo verificado: Curitiba) | USD 150 (pedido de visto temporário) + USD 100 (carteira migratória) + USD 300 (taxa de migração, paga em dólar online) = cerca de USD 550, verificado em julho de 2026 | Atendimento presencial de cerca de 2h45, no mesmo dia |
Fontes: argentina.gob.ar (residência temporária por nacionalidade Mercosul), migraciones.gob.ar (RADEX e quadro de taxas migratórias, Decreto 584/2024), consulado argentino em Curitiba. Taxas migratórias na Argentina são reajustadas com frequência: confirme o valor exato no site oficial antes de pagar.
Repare que as duas taxas não são comparáveis diretamente: a taxa da via consular em Curitiba (cerca de USD 550) cobre um conjunto de trâmites cobrados separadamente (visto temporário, carteira migratória e a taxa de migração da DNM), enquanto a taxa doméstica do RADEX (ARS 50.000) é a taxa de residência propriamente dita, paga já dentro da Argentina. Se você já sabe que vai chegar antes ao país (por exemplo, para começar um curso de espanhol ou uma vaga de universidade), o RADEX costuma ser o caminho mais direto. Se prefere resolver tudo antes de embarcar, a via consular evita depender de agendamento já em solo argentino.
Passo a passo pelo RADEX
Resumo: o RADEX (Radicación a Distancia) é a plataforma oficial da Direção Nacional de Migrações para pedir residência, sem necessidade de despachante. O processo tem seis etapas, do cadastro até o agendamento presencial para retirar o DNI.
O RADEX foi criado para ser simples e não depender de intermediário pago (a própria página oficial afirma isso). Ainda assim, vale seguir a ordem certa para não perder o agendamento ou atrasar o processo:
- Registre-se no RADEX com um e-mail que você acesse com frequência: o aviso do agendamento chega por lá, e o prazo costuma ser curto.
- Confirme que está fisicamente na Argentina, requisito específico da via doméstica (a via consular, feita a partir do Brasil, segue outro procedimento, descrito acima).
- Preencha o formulário do tipo de residência e anexe a documentação: fotos tiradas pelo próprio celular são aceitas, não é necessário escaneamento profissional.
- Pague a taxa pelo próprio sistema. Pagamento com cartão é creditado na hora; pagamento em dinheiro em pontos autorizados pode levar até 5 dias úteis para ser registrado.
- Aguarde a pré-análise. Uma vez aprovada, a Direção Nacional de Migrações costuma enviar por e-mail a data do atendimento presencial, em geral dentro de 24 horas após o envio da documentação.
- Compareça ao atendimento presencial para concluir o trâmite e, uma vez aprovado, retirar o DNI temporário.
Um ponto que nenhuma página oficial consultada nesta pesquisa detalha é o tempo total do início ao fim do processo (do cadastro até a aprovação final). Números como “3 a 6 meses”, comuns em blogs e grupos de brasileiros, não puderam ser confirmados em fonte oficial: trate como estimativa de terceiros, não como prazo garantido.
Documentos exigidos
Resumo: passaporte ou RG vigente, antecedentes criminais argentinos (gerados automaticamente dentro do próprio RADEX) e brasileiros (para quem morou fora da Argentina no último ano), comprovante de endereço e comprovante de meios de subsistência.
A lista de documentos é a mesma nas duas vias, ainda que a forma de apresentação mude um pouco:
- Passaporte válido ou documento listado no acordo de documentos de viagem do Mercosul (RG vigente também é aceito em vários casos).
- Certidão de antecedentes criminais argentina, para maiores de 16 anos: o próprio sistema RADEX gera esse pedido internamente, você não precisa tirá-la à parte.
- Certidão de antecedentes criminais de qualquer país onde você tenha morado por um ano ou mais nos últimos três anos, para maiores de 16 anos (no caso mais comum, a certidão brasileira).
- Comprovante de endereço na Argentina.
- Comprovante de meios de subsistência (renda regular).
- Documentos emitidos fora da Argentina, quando não estiverem em espanhol, precisam de tradução por tradutor público matriculado na Argentina, além de legalização ou apostilamento.
Se o seu plano de residência está ligado a estudar numa universidade argentina, vale conferir também o passo a passo específico de documentação acadêmica em como entrar em uma universidade argentina, que detalha apostilamento, tradutor público e convalidação do diploma.
Da residência temporária à permanente: a Lei 26.240
Resumo: depois de 2 anos de residência Mercosul, com presença efetiva de pelo menos metade do período no país, é possível pedir a residência permanente. Existe ainda um acordo bilateral específico entre Brasil e Argentina (Lei 26.240) que facilita essa conversão, sempre pelo RADEX.
A regra geral do Mercosul prevê que, depois de 2 anos com residência temporária, o cidadão pode solicitar a conversão para residência permanente, desde que comprove presença física no país em pelo menos metade do período concedido, sem nenhuma ausência única de 6 meses seguidos ou mais.
Além dessa regra geral, existe um atalho bilateral específico entre os dois países: a Lei 26.240, que aprova o acordo Argentina-Brasil sobre concessão de residência permanente a portadores de residência transitória ou temporária, assinado em Puerto Iguazú em 2005. Esse acordo permite que brasileiros na Argentina (e argentinos no Brasil) convertam a residência transitória ou temporária diretamente em permanente, e também permite regularizar quem está em situação irregular, sempre pelo próprio sistema RADEX, com os mesmos documentos base já descritos.
Alternativa: residência de estudante
Resumo: quem já tem vaga confirmada numa universidade argentina pode pedir a residência específica de estudante em vez da Mercosul. Ela dura 1 ano (contra 2 da Mercosul), é renovável, e exige um comprovante oficial de matrícula, mas os documentos de base são parecidos.
Para quem vai à Argentina especificamente para estudar, existe uma via alternativa à residência Mercosul: a residência temporária de estudante (artigo 23, inciso “j”, da Lei 25.871), que concede 1 ano, renovável, vinculada à matrícula ativa e comprovada por uma “Constancia de Inscripción Electrónica” emitida pela instituição. Ela costuma exigir os mesmos documentos base da residência Mercosul (passaporte ou RG, antecedentes criminais, comprovante de endereço e de renda), mais o comprovante de matrícula, e por isso geralmente só pode ser pedida depois de já ter uma vaga confirmada.
Na prática, a residência Mercosul costuma ser a opção mais ampla: dura o dobro do tempo (2 anos contra 1) e permite trabalhar sem restrição adicional ligada aos estudos. Já a residência de estudante faz sentido para quem quer manter o processo estritamente ligado à universidade. Se medicina é o seu objetivo, o guia estudar medicina na Argentina detalha como essa escolha se encaixa no processo de admissão completo.
Um minuto de vocabulário de trâmite: una as palavras
Seis palavras que aparecem direto em qualquer conversa sobre residência e documentos na Argentina, incluindo falsos amigos com o português. Toque uma em espanhol e sua tradução em português.
Atenção ao “oficina”: em espanhol argentino significa escritório, não tem nada a ver com oficina mecânica.
Espanhol antes do trâmite: por que isso facilita tudo
Resumo: RADEX, consulado e atendimento presencial funcionam inteiramente em espanhol, sem opção de atendimento em português. Chegar com uma base sólida do idioma evita erro de preenchimento e atraso no processo.
Nenhuma etapa da residência Mercosul, seja pelo RADEX ou pelo consulado, tem opção de atendimento em português. Formulários, e-mails de agendamento e o atendimento presencial na Direção Nacional de Migrações são em espanhol. Um erro comum de brasileiros recém-chegados é tentar navegar esse processo com espanhol muito básico, o que aumenta o risco de preencher algo errado ou não entender uma solicitação de documento adicional.
Conheça a Vamos Academy, a escola argentina que já recebeu milhares de brasileiros
Um curso intensivo (20h/semana, R$885/semana) nas primeiras semanas depois de chegar costuma ser suficiente para acompanhar o vocabulário burocrático desse tipo de trâmite. Quem já sabe que vai estudar numa universidade argentina, além da residência, também vai precisar de um certificado de espanhol específico: veja o comparativo completo em nível de espanhol exigido para estudar na Argentina.
Respondemos em minutos no horário comercial.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para entrar na Argentina?
Para turismo, não. RG ou passaporte vigente bastam, com estadia de até 3 meses, prorrogável uma vez. Visto e residência só entram em jogo para quem vai morar, trabalhar ou estudar por período mais longo.
O que é a residência Mercosul?
É a residência temporária concedida a cidadãos de países do Mercosul, incluindo o Brasil, prevista no artigo 23(l) da Lei 25.871. Dura 2 anos, é renovável, permite trabalhar e já habilita a emissão do DNI argentino.
Quanto custa pedir a residência Mercosul?
Pela via doméstica, no RADEX, a taxa gira em torno de ARS 50.000 (verificado em julho de 2026). Pela via consular a partir do Brasil, o custo total fica próximo de USD 550 (exemplo verificado no consulado de Curitiba, também em julho de 2026). São processos e taxas diferentes, não comparáveis diretamente.
Posso pedir a residência de dentro do Brasil, sem ir à Argentina antes?
Sim, pela via consular: um consulado argentino no Brasil (por exemplo, Curitiba) processa o pedido antes da viagem. A via RADEX, por outro lado, exige estar fisicamente na Argentina no momento do pedido.
O RG antigo é aceito para entrar na Argentina?
As páginas oficiais exigem apenas um documento “vigente”, sem citar um limite de 10 anos desde a emissão. Essa exigência aparece em blogs de viagem e páginas de companhias aéreas, não em fonte oficial argentina: leve o passaporte como alternativa mais segura se o seu RG for antigo.
Depois de quanto tempo posso pedir a residência permanente?
Depois de 2 anos de residência temporária Mercosul, com presença efetiva de pelo menos metade do período no país. Existe também um acordo bilateral específico Brasil-Argentina (Lei 26.240) que facilita essa conversão, sempre pelo RADEX.
Residência de estudante é diferente da residência Mercosul?
Sim. A residência de estudante dura 1 ano, renovável, e exige comprovante de matrícula ativa numa instituição. A residência Mercosul dura 2 anos e não exige vínculo com nenhuma instituição, sendo geralmente mais ampla.
Preciso de tradutor público para os documentos brasileiros?
Sim, para qualquer documento emitido fora da Argentina que não esteja em espanhol, além da legalização ou apostilamento correspondente. É uma exigência da Lei 20.305, que rege os tradutores públicos matriculados na Argentina.
Depois da residência: os próximos passos
Documentos resolvidos, o que vem a seguir.
Estudar na Argentina
Os seis caminhos para quem quer estudar, morar ou trabalhar no país.
Morar em Buenos Aires
Bairros, aluguel, banco, DNI e comunidade brasileira.
Custo de vida em Buenos Aires
Aluguel, mercado e transporte, com fonte e data.
Trabalhar em Buenos Aires
Mercado local, trabalho remoto e o espanhol que você precisa.
Curso intensivo
Base rápida para chegar preparado ao trâmite e à cidade.
Dúvidas sobre seu caso específico?
Conte sua situação (estudo, trabalho ou mudança definitiva) e a equipe da Vamos ajuda a entender qual via faz mais sentido para você.
Respondemos em minutos no horário comercial. Sede em Maipú 464, Recoleta, Buenos Aires, escola argentina com mais de uma década recebendo brasileiros.
Fontes oficiais consultadas
Resumo: este guia se baseia exclusivamente em fontes oficiais argentinas. Sempre que uma informação não pôde ser confirmada oficialmente, isso é indicado diretamente no texto.
- Argentina.gob.ar, residência temporária por nacionalidade Mercosul
- Direção Nacional de Migrações, tipos de residência
- RADEX, passo a passo oficial
- Quadro oficial de taxas migratórias (Decreto 584/2024)
- Consulado Geral da Argentina em Curitiba, trâmite de vistos
- Lei 26.240, acordo de residência permanente Brasil-Argentina
- Argentina.gob.ar, documentos de viagem do Mercosul
- Argentina.gob.ar, residência temporária de estudante
- Argentina.gob.ar, residência permanente